Canditado resolvendo prova

Muito se tem falado do polêmico e temido Mecanismo Anti-Chute na prova do Enem. Prometido pelo INEP, este mecanismo promete fazer um diagnóstico se o candidato está ou não chutando as respostas. E como o INEP pretende fazer isto? Utilizando a Teoria da Resposta ao Item. Desta forma, o candidato que acerta as mais difíceis, consequentemente deve acertar as mais fáceis. Se acertar as difíceis e errar as fáceis, foi chute.

Questão fácil pra quem?

Em uma aula recente que dei sobre o novo Enem, falei a respeito da Teoria da Resposta ao Item. Pra quem não está antenado, o INEP vai dividir as 180 questões em diferentes graus de dificuldade: Fácil (25%), Médio (50%) e Difícil (25%).

Adverti aos alunos que a interpretação da dificuldade da questão não depende deles, e sim do INEP, e o que eles podem considerar uma questão de nível fácil, é na verdade, considerada difícil. E isto pode surpreender muito no resultado final.

Chutar pode, mas não muito…

Recentemente, o G1 fez uma entrevista com Heliton Tavares, diretor de Avaliação da Educação Básica do INEP. Esta entrevista foi, no mínimo, curiosa, pois quando o jornalista perguntou se o candidato deve chutar ou deixar uma questão em branco, Tavares defendeu o chute.

É melhor chutar uma resposta qualquer ou deixar a questão em branco?
Sim, é melhor chutar. Ao marcar uma resposta, o candidato tem mais uma chance de acertar. Então, o Inep recomenda que o candidato não deixe questões em branco. Apesar disso, o chute deve ser moderado. E, para ter mais chances, o candidato deve analisar as alternativas e eliminar as mais improváveis de estarem corretas.

Foto de Heliton Tavares, presidente do INEP

Leia a entrevista completa. Vejam que Tavares defendeu o chute, e depois tentou consertar, dizendo que ele deve ser moderado. Ora, afinal pode chutar ou não pode? Creio que ele foi infeliz nesta resposta e, provavelmente, entregou o jogo. Mecanismo anti-chute, provavelmente, não existe!

A César o que é de César…

Vejamos por que o talvez o mecanismo anti-chute seja um grande mito do INEP.

Se o candidato acertar uma questão difícil e deixar uma fácil em branco, ele mantém alta pontuação pelo grau de dificuldade da questão. Todavia, se o mesmo candidato acertar uma questão difícil e chutar incorretamente uma questão fácil correlata, vai se prejudicar pelo tal mecanismo anti-chute.

Agora convenhamos, Tavares não teria coragem de sugerir o chute, se não soubesse que, na verdade, ele é irrelevante na nota final.

Além disso, o mecanismo anti-chute é baseado em subjetividades, não tem um cálculo preciso. É bem provável que não seja possível aplicá-lo, em questões objetivas, sem gerar polêmicas mil. Será que o INEP vai arriscar pôr em risco a legitimidade de uma prova que promete ser única em todo o país? Eu não creio.

Técnicas do Chute?

E na contramão do sistema, vou postar um vídeo sobre técnicas para chutar no Enem. Opa, acho que estou sendo subversivo demais 😛