Quadro Negro escrito Giz

A princípio, estas dicas podem causar um estranhamento. Afinal, em pleno séc. XXI, com acesso a recursos digitais inovadores, por que falar em ferramentas tão antiquadas quanto os centenários quadros negros? Se mesmo as escolas mais pobres contam com sala informatizada e aparelhos de datashow, porque bater a tecla no bolorento giz?

Podemos destacar as dificuldades que a escola e, consequentemente, os professores têm em utilizar este tipo de tecnologia. É fato que muitas escolas não ensinam o professor a utilizar a lousa e giz, empurrando o mesmo para a sala de aula, como se a experiência anterior como aluno, ou mesmo a posterior graduação, fossem suficientes medidores de competência didática.

Professor “Giz & Tal”

Eu já vinha buscando este artigo há um tempo, vasculhando na internet. A inspiração veio com o amigo Robson Freire, do blog Caldeirão de Idéias. Pelo que percebi, o texto original pertence a José Carlos Antônio, do blog Professor Digital.

De uma forma brilhante, José Carlos utiliza uma corruptela para se referir aos professores que, desprovidos de recursos tecnológicos digitais, ainda dependem da lousa e giz. Desta forma, ele utiliza o termo “Professor Giz & Tal”, como contraparte do “Professor Digital”.

Confesso que eu sou um professor que utiliza muitos recursos digitais em sala de aula. Todavia, não dispenso o uso da lousa e giz, apesar de haver a alternativa da lousa e pincel atômico. Admito também que tenho muito a aprender com estas dicas, visando um melhor uso desta tecnologia.

As dicas

As dicas serão apresentadas com adaptações.

1. Use diversas cores de giz e não apenas o giz branco: o giz é uma ferramenta pobre e se você usar apenas giz branco sua lousa será horrivelmente monótona. Procure usar uma padronagem coerente de cores: por exemplo, use sempre as mesmas cores para cada categoria como títulos, subtítulos, destaques, anotações importantes, etc.

2. Divida corretamente o espaço da lousa: deixe um espaço de meio metro à esquerda da lousa para anotações sobre a pauta da aula, data, capítulo, etc. e mantenha esse pedaço da lousa sem apagá-lo durante toda a aula. Deixe outro meio metro do lado direito da lousa para anotações provisórias (como contas ou outras anotações que poderão ser feitas e apagadas durante a aula). Use sempre uma mesma cor para fazer linhas divisórias.

3. No espaço restante da lousa, procure fazer divisões em retângulos tanto mais próximos quanto possível do “retângulo de ouro”: se sua lousa tem 1 m de altura, faça divisões com comprimentos de 1,6 m cada uma, aproximadamente (ou seja, você deve dividir a lousa em retângulos cujo comprimento seja 1,6 vezes maiores do que a altura.

4. Use letras grandes e traços grossos: Até o aluno de visão mais aguçada ficará grato se não tiver que adivinhar o que foi que você quis escrever com aquela nanoletra ilegível que você mesmo mal enxerga estando a dez centímetros dela.

5. Se sua letra for feia, treine muito até que ela fique bonita: professor não é médico e lousa não é receituário. Ou você escreve de uma forma legível e com letra bonita e caprichada ou passa a usar artefatos tecnológicos que o dispensem disso (como notebooks e datashows, por exemplo).

6. Dê palestras, não “aulinhas”: Use uma vareta ou uma régua de 1 m como apontador para indicar aquilo sobre o que estiver falando durante suas explicações (apontadores laser não funcionam muito bem em lousas escritas com giz) e jamais fique de costas para a sala durante as explicações.

7. Prepare sua aula e o uso da sua lousa: certifique-se de que colocará na lousa apenas o essencial para organizar as idéias, conceitos e informações que serão apresentadas e trabalhadas em aula. Use a lousa como ferramenta de apoio e não como desculpa para enrolar a classe.

8. Não seja conivente com a irresponsabilidade: Se sua escola não fornecer giz colorido, apagadores ou lousas onde se possa escrever, escreva um e-mail solicitando em caráter emergencial o que lhe falta e envie para a Secretaria de Educação do seu município ou do seu estado, a cargo da área pedagógica.

9. Recolha todas as pontas pequenas de giz que sobrarem depois da aula e leve-as com você: se a escola não tiver quem as recolha e recicle, jogue-as no lixo da sala dos professores. Isso evita que encontremos pontas de giz espalhadas pelos corredores e aconteçam pequenas guerrilhas coloridas na sala de aula.

10. Use sempre um creme para as mãos à base de silicone antes de usar o giz: O giz resseca a pele da mão, causa ruptura nas cutículas, é horrível para limpar, fica grudado debaixo das unhas (principalmente para quem tem unhas grandes) e se aspirado ao longo de muito tempo seu pó pode causar câncer, enfisema e outras doenças decorrentes da acumulação de seus minerais no pulmão.