Na prova do Enem 2009, tente resolver esta questão sobre a forma como Barão de Montesquieu, um dos filósofos do iluminismo, justifica a escravidão, relacionando-a com a moral da época. A resolução está logo abaixo da questão, com comentários e habilidades cobradas na prova.

Escravo sendo maltratado

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Todos já ouviram falar que o iluminismo foi um período de grandes transformações que ajudaram a derrubar o antigo regime na Europa. Ocorre que, neste período, a filosofia buscava compreender e justificar vários aspectos, entre eles a questão da escravidão que, no século XVIII, já era questionada diante das mudanças decorrentes da Revolução Industrial.

Questão

Questão 48:

Observe as duas afirmações de Montesquieu (1689-1755), a respeito da escravidão:

A escravidão não é boa por natureza; não é útil nem ao senhor, nem ao escravo: a este porque nada pode fazer por virtude; àquele, porque contrai com seus escravos toda sorte de maus hábitos e se acostuma insensivelmente a faltar contra todas as virtudes morais: torna-se orgulhoso, brusco, duro, colérico, voluptuoso, cruel.

Se eu tivesse que defender o direito que tivemos de tornar escravos os negros, eis o que eu diria: tendo os povos da Europa exterminado os da América, tiveram que escravizar os da África para utilizá-los para abrir tantas terras. O açúcar seria muito caro se não fizéssemos que escravos cultivassem a planta que o produz.
(Montesquieu. O espírito das leis.)

Com base nos textos, podemos afirmar que, para Montesquieu,

a) o preconceito racial foi contido pela moral religiosa.
b) a política econômica e a moral justificaram a escravidão.
c) a escravidão era indefensável de um ponto de vista econômico.
d) o convívio com os europeus foi benéfico para os escravos africanos.
e) o fundamento moral do direito pode submeter-se às razões econômicas.

Resposta: Letra E

Habilidade Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes sobre determinado aspecto da cultura.

Comentários: Neste famoso texto, Montesquieu condena a escravidão. Portanto, eliminam-se as alternativas B, C e D. O texto não contém teor religioso, apenas ética e moral, o que elimina a alternativa A. Por sua vez, a letra E trabalha com uma questão de possibilidade, que vem ao encontro da segunda parte do texto de Montesquieu.