Dia 08 de março é Dia Internacional da Mulher. A data foi escolhida a partir das manifestações de mulheres operárias, nos Estados Unidos, por melhores condições de trabalho. O movimento, ocorrido no dia em 08 de março de 1857, foi duramente reprimido. Não bastasse a violência, ocorreu um incêndio na fábrica que causou a morte de mais de 100 operárias que lá trabalhavam. Décadas depois, o 08 de março ficou reconhecido oficialmente como o Dia da Mulher.

Mulheres vítimas de tráfico de mulheres

De lá para cá, as mulheres vêm somando inúmeras conquistas, como o direito ao voto, a ocupação de cargos públicos importantes, a equiparação salarial, entre muitas outras. Porém, não podemos fechar os olhos para muitos abusos que mulheres de todas as partes do mundo ainda sofrem. Pretendo, neste artigo, estimular uma reflexão em cima de temas considerados polêmicos, mas que necessitam ser discutidos, como a perseguição sexual, o sequestro de noivas e o tráfico de mulheres.

Muitos países criminalizam o sexo antes do casamento. No Marrocos, as penas para violação do código penal, no que tange a esta questão, incorrem bem mais em mulheres do que em homens. Mulheres solteiras grávidas, em particular, sofrem com a perseguição sexual. O código penal marroquino também considera o estupro de uma virgem como uma circunstância agravante de agressão. A mensagem é clara: o grau de punição do agressor é determinada pela experiência sexual da vítima.

O sequestro de noivas é uma prática comum no Quirguistão e Turcomenistão. Quando é hora de se casar no Quirguistão, o homem ou sua família escolhem uma mulher, que será sequestrada. O noivo, seus parentes e amigos a levam para a casa da família, onde as mulheres mais velhas tentam convencer a mulher sequestrada a aceitar o casamento. Algumas famílias mantém a mulher refém durante vários dias para fazê-la ceder. Na Etiópia e Ruanda, o processo tem requintes de brutalidade, pois o homem, além de sequestrar a mulher, também a estupra.

O tráfico de mulheres entrou em discussão a partir da abordagem do tema na recente novela das oito. Desde a queda da cortina de ferro, os países pobres do antigo bloco oriental europeu, como a Albânia, Moldávia, Romênia, Bulgária, Belarus e Ucrânia têm sido identificados como principal origem do tráfico de mulheres e crianças. As meninas são frequentemente atraídas para os países ricos pela promessa de dinheiro e trabalho e, em seguida, reduzidas a escravidão sexual. Estima-se que 2/3 das mulheres traficadas para prostituição, anualmente, vêm da Europa Oriental, sendo que 3/4 delas nunca trabalhou como prostituta antes.

 Esta lista, certamente, é bem maior, mas o espaço é limitado e impede o seu prolongamento. Que o mês de março seja um momento para relembrar as grandes conquistas históricas das mulheres. Não obstante, que também seja aproveitado para discutir situações em que alguns direitos essenciais ainda não foram conquistados, ou ainda não estão sendo respeitados.

Este artigo foi publicado no Jornal A Tribuna