As manifestações populares que estamos vivenciando nos últimos dias vêm mobilizando milhares de pessoas em todo o país. O início foi marcado pelo protesto contra o aumento das tarifas de ônibus em São Paulo, mas adquiriu proporções bem maiores, em parte por causa das redes sociais e o seu potencial mobilizador. Talvez alguns não saibam, mas protestos contra o aumento de tarifas em transportes coletivos não são novidades na história do Brasil. Neste sentido, vamos destacar a Revolta do Vintém, Greve da Meia Passagem e a atual Revolta dos Vinte Centavos.

Revolta dos Vinte Centavos

A Revolta do Vintém foi um protesto que ocorreu entre 1879 e 1880, nas ruas do Rio de Janeiro, contra a cobrança de vinte réis, ou seja, um vintém, nas passagens dos bondes. Este aumento foi instituído pelo ministro da fazenda Afonso Celso de Assis Figueiredo, o Visconde de Ouro preto. O protesto mobilizou em torno de 5 mil pessoas. Aos gritos de “fora o vintém!”, a população espancou os condutores, esfaqueou os burros, virou os bondes e arrancou os trilhos ao longo da Rua Uruguaiana. A estatística de feridos e mortos não é precisa, estima-se entre 15 a 20 feridos e entre 3 a 10 mortos. O ministério, desgastado, foi substituído e o novo ministério revogou o aumento das tarifas.

A Greve da Meia Passagem, por sua vez, foi uma greve estudantil que ocorreu em 1979, em São Luís, no Maranhão, visando a adoção de meia passagem para estudantes. O início da greve ocorreu quando o então prefeito da cidade, Mauro Fecury, apresentou a proposta de um terceiro aumento consecutivo da passagem em apenas um ano. Na ocasião, estudantes da Universidade Federal do Maranhão entraram em greve e foram reprimidos ao sair em passeata para o centro da cidade. A greve foi marcada por forte repressão policial às passeatas e assembleias, mas apesar disso conseguiu a adoção de outros estudantes e setores da sociedade.

A recente mobilização, por enquanto chamada de Revolta dos Vinte Centavos, iniciou com a declaração do aumento em R$ 0,20  no preço da passagem de ônibus na cidade de São Paulo e ficou marcada pela truculência policial nos primeiros dias de manifestações. Em pouco tempo, as manifestações atingiram outras cidades brasileiras, inclusive com apoio em cidades estrangeiras, como Londres e Paris. Ainda é cedo para compreender as motivações dos protestos, mas algumas pessoas associam-nas com os altos custos da Copa do Mundo, a corrupção que corrói as instituições políticas e econômicas no país, a impunidade, dentre outros motivos.

Percebemos, assim, que as manifestações que estamos presenciando não têm nada de novo, pois a insatisfação com o transporte público já é registrada desde o século XIX. No entanto, o uso das redes sociais tornam inédito o seu alcance, fazendo com que os protestos atinjam proporções intercontinentais. De qualquer forma, só o tempo vai dizer se esta é apenas mais uma manifestação popular, ou se estamos diante de uma verdadeira revolução social.

* Este artigo foi publicado no jornal A Tribuna